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menina

  • Ana NM
  • 5 de abr. de 2020
  • 1 min de leitura

Ninguém me chama menina como me chamam no Porto.

Menina no Porto sai de dentro com o peito cheio de ar mas, mesmo sendo uma palavra tão banal como pedra ou rio, no Porto menina soa-me compassado e com música própria.

...Me-ni-na...

No Porto as ruas são largas, são estreitas, são curtas e compridas, são a pique e são planas, são calçadas, são quelhos, são becos...

No Porto tropeça-se em monumentos e em pregões e vozes a ecoar pelas ruas. No Porto há muita gente, é uma afirmação estúpida, claro que há muita gente, há muita gente em todo o lado… mas no Porto "há mais gente realmente", há mais rebuliço, mais cor, mais vozes no ar, mais confusão.

"Menina, tem horas que me diga?" é uma frase cantada, uma interrogação aberta e vincada. O Douro deixa-me sem respiração, é demasiado bonito estar no cimo da ponte e observar aquela paisagem fantástica daquilo que parece um puzzle de 10 mil peças.

Ouve-se o bater dos corações pelas ruas do Porto. Há um pulsar próprio, um movimento frenético mas, ao mesmo tempo, uma calma tão grande e um silêncio tão cortante. É este choque antagónico que me baralha no Porto. E o ar cheira a pães acabados de fazer. Pães não, moletes.

A menina sabe. A menina até nasceu no Porto. A menina sonha muito. A menina procura um coração que a aceite como menina (e é tão bom ser "a menina" de alguém).

A menina continua menina, sem ninguém que lhe chame menina. (Só no Porto).

Tão perdida...mas será sempre menina.

 
 
 

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