"Palavras, frases, pensamentos soltos..."
- Ana NM
- 4 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de set. de 2021

não sei lidar com acasos, com atrasos, com casos, com arrasos
deixem-me viver de ocasos.
/
tu e eu não somos nós
os nós, por mais frouxos que se dêem, aguentam-se por momentos
nós nem isso.
/
a vontade, as vontades, o estar à vontade
o limite, os limites, o chegar ao limite
a distância, as distâncias, o manter a distância
não é fácil lidar com algo que nenhum sistema métrico consegue definir
/
li por aí, que conseguiram finalmente obter imagens de um buraco negro no espaço
mas ainda ninguém conseguiu captar o que realmente se passa cá dentro
é como dizermos que estamos a anos-luz de algo,
e usualmente pensar-se que estamos a falar de tempo, quando falamos de distância
não deixa de ser curioso
ou até poético
mas é só ciência
(ainda bem que não me dá para escrever sobre química).
/
a minha vida dava uma peça de teatro, uma galeria, um thriller, uma telenovela mexicana, uma série, um acervo, um bailado, uma antologia, uma saga, uma sinfonia, um repertório, um cancioneiro, uma colmeia.
/
(a minha avó na cama do lar)
Ela fala. fala tanto entre ais e suspiros.
Fala tanto, sobre coisas do seu mundo, num dialeto próprio (ai) que acompanha com expressões teatrais e canções que trauteia
Li lu li lili lili...
E eu dou-lhe a mão e ela agarra-ma,
como eu lhe fazia quando era bebé. (ai)
Eu estou aqui, mas eu já não sei onde ela está.
Ela muito menos. (ai)
Dou-lhe a mão e ela fala, fala tanto.
(Eu só suspeito que seja poesia)
/
sofro de lonjuras antecipadas
eu ainda não o conheço e ele ainda nem partiu, mas eu tenho já tantas saudades como se já estivesse a despedir-me ou ele a mil quilómetros de mim
de olhos fechados, onde a pontas dos dedos não se tocam e um abraço é impossível.
/
Eu quero perder o meu tempo contigo
Quanto muito perco o juízo
Quanto muito perco-me em ti
Quanto muito perco a paciência
Quanto muito...perco,
E o meu coração entra em insolvência cardíaca.
/
Sinto falta das manhãs que eram noites
das madrugadas que eram tardes
e nunca tardias.
/
Guardo o que sinto numa caixa pequena com um cadeado
Trago a chave num fio ao pescoço
Assaltem-me.


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